O que vou escrever nada mais é que ficção, nada mais que ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
- Porra, não fode – foi assim que começou a conversa do dia. Porra não fode. Grande começo. Grande dia. Grande merda. Não sabia como começar de outra forma. Desilusão da verborragia juvenil. Tudo culpa do Twitter e afins. Porque eu penso essas merdas às sete da manhã?
- O que houve? – ela perguntou, olhando para o quadro negro. Senti uma estranha vontade de ser um quadro negro com matéria de biologia. Realmente, o sono é uma droga poderosa. Até porque não estávamos tendo biologia. Na verdade, nem sei bem qual era a matéria, não que isso fizesse alguma diferença. Mas bem, voltando ao porra não fode e a pergunta subseqüente, sempre tenho a sensação, logo após soltar o porra não fode, que todo mundo pergunta o porquê somente por educação. Menina educada.
- Sei lá – soltei, depois de cinco minutos olhando feito um abobado para as letras que surgiam, brancas, sobre o quadro negro verde. Agora, pausa, pausa. Bem, para quem realmente me conhece, o sei lá é o prelúdio para uma explicação ou uma pergunta simples, mas que faço questão de complicar a vera. Então, sei lá somado com o Porra não fode, as sete da manhã, só pode dar em merda. E, foi no que deu. Porque o gênio aqui, para variar, embolou tudo e, depois de pensar mais cinco minutos, agora fitando intensamente os olhos dela – e que olhos, galera -, saiu um - Não te entendo.
A espera de continuação